Quase todo furo de posto que a gente vê nasce do mesmo mal-entendido: achar que a escala é dada ao vigilante. Não é. A escala pertence ao posto; quem for alocado ali herda o que o posto já decidiu. Se você monta uma escala 12x36 pensando nas pessoas em vez do posto, uma hora vai ter dois vigilantes de dia e ninguém de madrugada — e vai descobrir pelo telefonema do contratante, não antes.
Este guia percorre as três formas de cobrir um posto — 24 horas em rodízio, 12 horas diurno ou noturno, e personalizado — na ordem em que as decisões realmente precisam ser tomadas.
Primeiro o posto, depois o ciclo, por último a pessoa
São três decisões diferentes, e é melhor não misturar:
- A cobertura do posto. Quais horas precisam estar guarnecidas? Doze de dia, doze de noite, as vinte e quatro, ou uma janela sua.
- O ciclo. Quantos dias de trabalho e quantos de folga para quem estiver ali. Pertence ao posto, não à pessoa: você mexe num lugar e desce para todo mundo.
- A alocação. Qual vigilante, e a partir de que data. Essa data não é burocracia: é ela que define em que ponto do ciclo a pessoa entra.
Ao criar um posto você escolhe uma de quatro coberturas: 12h Diurno (07:00–19:00), 12h Noturno (19:00–07:00), 24 Horas ou Personalizado. Essa escolha determina quantas vagas fixas o posto ganha e quais ciclos o sistema oferece depois.
A cobertura se define uma vez por posto, e todo o resto pendura nela.
A escala 12x36, que é a mais pedida
Doze horas de serviço e trinta e seis de descanso é a escala que a maioria dos postos de vigilância patrimonial usa no Brasil. Na prática são dois vigilantes revezando a mesma janela de doze horas: um entra hoje, o outro entra amanhã.
No sistema ela se monta assim:
- Cobertura Personalizado, com a janela do posto — 07:00 às 19:00 para o diurno, 19:00 às 07:00 para o noturno.
- Turno por vigilante: toda a jornada (o bloco é a janela inteira de 12 horas).
- Cobertura de folgas: alternância entre fixos, sem folguista.
- Ciclo 1-1: um dia trabalha, um dia folga.
O resultado é exatamente o 12x36: quem sai às 19:00 de segunda só volta às 07:00 de quarta. E como os dois fixos se revezam, o posto nunca fica sem ninguém — não há folga a descobrir, porque a folga de um é o dia de trabalho do outro.
A alternância exige que o ciclo seja múltiplo exato dos dias trabalhados: 1-1, 2-2 e 3-3 funcionam. Um 4-4-2 ali não quer dizer nada, e o sistema recusa em vez de gerar uma escala impossível.
Sobre a lei: a 12x36 depende de previsão em acordo ou convenção coletiva, e as regras de jornada, intervalo e adicional noturno mudam conforme a categoria e o instrumento aplicável. Confirme com o sindicato e com seu jurídico; isto não é orientação jurídica.
Posto de 24 horas em rodízio
Escolha 24 Horas e o posto nasce com duas vagas fixas. Aqui vem a pergunta que quase todo mundo pula, e é ela que separa duas operações bem diferentes.
Rodízio de verdade
O ciclo tem noites. O clássico é o 4-4-2: quatro turnos de dia, quatro de noite, duas folgas — ciclo de dez dias. As duas vagas dividem a mesma janela (07:00–19:00) e é o rodízio que leva um para a noite enquanto o outro está de dia. Ao longo do mês, o mesmo vigilante passa pelas duas metades do relógio.
Serve quando você quer distribuir a carga noturna pela equipe inteira e quando o adicional noturno não deve cair sempre na mesma pessoa.
Turnos fixos: um sempre de dia, outro sempre de noite
O ciclo não tem noites. Cada vaga fica na sua faixa, com horários espelhados: 07:00–19:00 e 19:00–07:00. Ninguém roda; a única coisa que se decide é de quantos em quantos dias se folga.
Serve quando o pessoal pede previsibilidade, quando o noturno é remunerado de outro jeito, ou quando o contratante exige que o da madrugada seja sempre o mesmo porque conhece o prédio no escuro.
O erro que custa a noite inteira: misturar os dois. Marcar o posto como 24 horas, escolher um ciclo sem fase noturna e deixar as duas vagas em 07:00–19:00. O dia fica dobrado, a noite vazia, e o posto continua aparecendo como «24 horas» em todas as telas. Por isso o sistema pergunta direto se é rodízio ou se são turnos fixos, em vez de deixar você adivinhar.
A fase sai da data de início
Esse é o detalhe menos entendido e o que mais estraga cobertura. O ponto do ciclo em que o vigilante começa é calculado pela data de início dele. Se você alocar as duas vagas fixas com a mesma data, os dois vão trabalhar nos mesmos dias e folgar nos mesmos dias: o posto fica dobrado em alguns dias e vazio nos outros.
Para desencontrá-los, as datas de início têm que ser diferentes. Num 4-4-2, separá-las pelo tamanho do bloco diurno coloca um no bloco de dia e o outro no de noite. No posto em si não há nada para configurar — a fase é a data.
Posto de 12 horas com folguista
Se o posto não roda em 12x36 e sim tem um titular com folgas semanais, a lógica muda: uma única vaga fixa, ciclo sem noites (o sistema sugere 8-2, oito de trabalho e dois de folga) e alguém para cobrir as folgas.
Aí entra o folguista: um vigilante sem posto fixo que encadeia as folgas de vários postos. Se todos os postos rodarem num ciclo do mesmo tamanho, as folgas caem desencontradas e uma pessoa só consegue encadear todas; se cada posto tiver um ciclo diferente, as folgas se sobrepõem e você precisa de mais gente para cobrir a mesma coisa.
Escalas personalizadas
Para tudo que não cabe nos moldes acima: um centro de distribuição das 06:00 às 22:00, uma guarita que abre ao meio-dia, um evento que atravessa a virada. Você define a janela com as horas que quiser, e ela pode passar da meia-noite.
Duas decisões só existem aqui:
Turno por vigilante. Dá para partir a janela em blocos de 4, 6, 8, 12 ou 24 horas; cada bloco vira uma vaga com horário próprio. A condição é aritmética: o bloco precisa dividir a janela exatamente. Uma cobertura de 16 horas se divide em dois de 8 ou quatro de 4, mas não em blocos de 6. É por isso que algumas opções aparecem em cinza — não estão quebradas, é que não fecham a conta.
Cobertura das folgas. Ou o folguista cobre, ou os fixos se alternam (que é o caminho do 12x36 lá de cima).
Como ler os números do ciclo
O sentido muda conforme a cobertura, então vale ler com atenção:
- Num posto de 24 horas,
4-4-2é quatro dias · quatro noites · duas folgas. Ciclo: dez dias. - Num posto de 12 horas,
8-2é oito trabalha · dois folga. Ciclo: dez dias. Não existe campo de noites porque a noite vem da janela do posto, não do ciclo.
Zero folgas é um ciclo válido no sistema — tem posto pequeno coberto todo dia pela mesma pessoa e ele grava assim. Se a legislação e a convenção permitem é outra conversa, e essa é para o seu jurídico.
O vigilante enxerga exatamente a escala que a central gerou, sem ninguém reencaminhar nada.
O que acontece depois de salvar
Ao alocar, o sistema gera os turnos para frente — até um ano — então não tem nada para refazer toda semana. A partir daí:
- A escala do posto aparece por dia, semana e mês em escala de trabalho.
- Cada vigilante vê os turnos dele no aplicativo, com horário e posto.
- O controle de ponto é comparado com o turno previsto, então atraso e saída antecipada aparecem sozinhos, sem ninguém precisar reportar.
- Se alguém não aparece, o buraco surge como descoberto em vez de chegar pela reclamação do contratante.
Mudar o ciclo depois não apaga o passado: os turnos já cumpridos ficam, porque é neles que se apoiam folha e comprovação de serviço, e os turnos fixados na mão — uma transferência, uma falta registrada, uma cobertura enviada — também ficam, porque são decisão de quem opera e não resultado do rodízio.
Sobre o encaixe entre escala e norma coletiva, vale ler também convenção coletiva e escala de trabalho.
Uma ordem que evita quase todo problema
- Defina a cobertura pelo que o contrato exige, não pela equipe que você tem hoje.
- Nas 24 horas, decida logo: rodízio ou turnos fixos.
- Use o mesmo tamanho de ciclo em todos os postos, para um folguista encadear as folgas.
- Aloque com datas de início diferentes quando o posto tiver dois fixos.
- Olhe a escala gerada antes de fechar a tela. Buraco se vê de relance numa grade; telefonema às três da manhã, não.
Se quiser ver como isso fica na sua operação, conheça o CGuardPro ou fale com a gente — a gente revisa junto com os seus postos reais.